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Anjos Vestidos de Homens
"Seja constante o amor fraternal. Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos".(Hb 13.1,2) 

Este texto me faz meditar que tem anjos por aí, com quem eu "topo" na rua, na fila do banco (eles não devem cortar fila...), que sentam do meu lado no ônibus, no metrô; na deliciosa barraquinha de pastel na feira (anjos comem, sabia? Gn 18.1-8) e nem me apercebo disso. Pode haver um anjo ou mais sentados no banco da igreja ou na cantina da faculdade de forma corpórea, materializada, e eu estar pensando que é uma pessoa comum. 

Existe muito anjo por aí que se confunde com gente, e graças a Deus, muita gente que se confunde com anjo. 

Anjos celestiais servem a Deus através do homem. Anjos humanos servem o homem através de Deus. Bem pode ser o contrário. Não penso que esteja errado, mas penso que essa ordem é adequada para aquilo que quero que meditemos. 

Uma canção me levou a pensar nisso. Uma canção que diz: 

"Jesus é a solução, e tem mandado muitos anjos. 
Anjos vestidos de homens 
Amigos de todos os momentos". 

Anjos vestidos de homens ? pensei ? são homens que se confundem nas suas atitudes, com os anjos celestiais. 

Precisamos de anjos!Anjos vestidos de homens!Anjos que nos abracem, anjos que nos confortem, anjos que nos animem, anjos que nos exortem, anjos que nos guardem. 

Há alguns anjos na Bíblia que me chamam a atenção.Quero traçar um paralelo entre eles e os anjos humanos. 

Mateus 4:11 fala de anjos que serviram a Jesus após a tentação no deserto. Como as Escrituras dizem que "o anjo do Senhor acampa-se ao redor daqueles que o temem"(Sl 37.4), e elas não podem mentir, então os anjos estiveram o tempo todo por perto e não se atreveram a intervir. Aquele era um "teste de fogo" pra Jesus, a "hora da verdade", a "hora-do-vamo-vê", a "hora-da-onça-bebê-água". 

Era um momento que Jesus precisava passar. Ele "tinha" que passar! Assim como aconteceu no episódio da disputa do corpo de Moisés(Jd 9), os anjos poderiam ter entrado em cena e dado uns bons "tapas" no Diabo, mas isentaram-se de fazê-lo. E por que? Porque era a vontade soberana de Deus. Os anjos limitaram-se a servir o Senhor após este ter vencido a prova, mas não se interpuseram. Viram o combate, mas não entraram no "ringue". Ficaram do lado de fora das cordas. Torcendo apenas. 

Anjos humanos também tem essa percepção. Eles sabem que tem hora que livrar mata, ao passo que "deixar a coisa acontecer" traz vida. Sabem que o combate é o que traz vitória e não a intervenção. E isto é um estranho paradoxo. Parece até um pensamento brutal, mas é uma verdade insofismável. Existem momentos que as pessoas precisam passar e os "anjos" que os amam precisam ter a percepção de que elas precisam passar por aquilo. É difícil para um pai ou mãe amorosos, soltarem as rédeas de um filho, deixá-lo viver a sua experiência, às vezes dura, suada, brigada. Por exemplo, aquele momento de sair de casa para estudar fora, fazer um intercâmbio no exterior, ingressar numa agência missionária...Aquele momento em que um amigo ou amiga estão atravessando uma fase relacional conturbada e os "anjos" sabem que uma injunção sua podem tolher o amadurecimento das partes envolvidas. 

Anjos humanos entendem que crises só matam quando terminais, mal-resolvidas, mal-assimiladas. O princípio delas propõe amadurecimento, crescimento, melhoramento. Crises melhoram ou matam. Depende de como são enfrentadas... 

Lucas 22.43 fala de um anjo que consolara a Jesus na agonia do Getsêmani. Notem que ser anjo não é fácil. Anjos são guiados pela soberana égide de Deus. Se no deserto eles não intervieram, aqui um deles vem consolar o Mestre. 

Oh!Como precisamos de anjos que nos consolem em alguns momentos da vida! Se alguns momentos os anjos têm que ficar de longe, em outros eles têm que estar perto, ao lado, ombro-a-ombro. Percepção é fundamental. Anjo sem percepção corre o risco de "virar demônio". 

Consolo é atividade angelical. A filosofia do "cada-um-por-si-e-salve-se-quem-puder!" não encontra quorum entre anjos... Nem a postura de "Pequeno Príncipe", recluso ao seu "mundinho particular"... 

A Bíblia não fala se anjos celestiais choram, mas anjos humanos choram. Choram do lado.São um no choro.Sabem fazer um "cafuné" santo, abraçar aquele abraço-quebra-ossos-e-sara-coração, dar um beijo bem molhado na cara... "Anjo" que não chora ou nunca foi "anjo" ou perdeu a "angelicalidade". A "angelicalidade" humana é construída com muito choro em prol de outros. A Avenida dos Anjos é pavimentada com lágrimas e faz esquina com a Rua Consolação, próxima à Ponte dos Abraços. 

1 Rs 19 fala sobre um outro anjo que me fascina: um anjo que dá uns "chacoalhões" e também dá pão. Lá está Elias, o profeta, depois de ter "peitado" 850 homens, debaixo de um zimbro no deserto, morrendo de medo de ser morto por uma única mulher ? a ímpia Jezabel ? quando esse anjo aparece a ele, todo macambúzio, estressado, com uma "bruta deprê" e com uma vontade suicida tremenda. Elias estava cansado da vida, cansado da perseguição, cansado da impiedade, da brutalidade e cansado até do próprio sucesso(um sucesso que culminara em morticínio no Carmelo, um sucesso doloroso; aquele sucesso que no fim das contas é fracasso porque não precisava ser daquele jeito caso as circunstâncias tivessem sido outras!). 

Acho que todos nós já passamos algum momento assim na vida. Eu mesmo, já passei vários. O coração fica miudinho, comprimido. A sensação é que ele fica do tamanho de uma aspirina. Dói o peito. Dá uma vontade tremenda de andar sem rumo. Pra onde aponta o "pau do nariz".Elias andou 160 Km de Jezreel a Berseba. Acredito que nem se apercebeu disso! Então o anjo chega e lhe diz: "Levanta rapaz. Come alguma coisa. Vai morrer de fome e desgosto aqui? Há ainda uma longa caminhada pela frente! Você ainda tem muito por fazer!" e depois dá pão ao profeta. Pão de anjo. Pão que o sustenta para uma caminhada de 350 Km em 40 dias e 40 noites. 

Notem que esse anjo deu uma palavra de ânimo, mas também deu pão. Deu um solavanco no profeta para que este enxergasse que a vida ainda tinha sentido, mas deu-lhe pão que o sustentasse na caminhada. 

Dura coisa é dar palavra e não dar pão, assim como dar pão e não dar palavra. Um pão sem palavra ficaria intocado, provavelmente endurecido do lado de um cadáver anoréxico. Uma palavra sem pão animaria a alma, mas não impediria o corpo anêmico de tombar no deserto. Os dois são necessários! Pão sem palavra é vacuidade. Palavra sem pão é insensibilidade! 

Anjos humanos se confundem com esse anjo. Entendem que precisam usar o "desfibrilador" psico-espiritual, solavancar o moribundo, dar um choque de razão, aquele "tapa" que desperta do transe. 

Já precisei de anjo que me tirasse da cama e dissesse: "Vamo Paulo. Desperta pra vida. Você não vai morrer aí não. Ainda vale a pena viver. Tem ainda muita caminhada pela frente! Deixa de ser mole!"

É a perda de um ente querido, a dor de um divórcio, o cônjuge que saiu de casa sem explicação, um filho que morreu de forma estúpida, a pessoa amada que dá um basta no relacionamento e esfrangalha o coração, um desemprego prolongado, a bancarrota financeira, uma crise existencial, um período em que "o mundo vira de cabeça pra baixo"... 

Como anjos são necessários nessa hora! Esse tipo de "ação de anjo" não é brando. É às vezes duro, espicaçante, mas necessário. Parece mesmo com aquele "tabefe" que se dá numa pessoa no torpor da histeria. 

Mas esse tipo de "anjo" entende que não basta apenas dar o "safanão". O moribundo precisa de pão pra caminhada; pão esse que pode ser físico. E daí não adianta dar "tapinha nas costas" e deixar a pessoa "na rua da amargura". Se a necessidade for palavra e pão, então só palavra não resolve o problema. Pode ajudar, e muito! Mas pode não ser o suficiente. Tiago diz que "se um irmão ou irmã estiverem carecidos de roupa, e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: "Ide em paz, aquecei-vos, e fartai-vos, sem, contudo, lhes derdes o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?" 

Dou graças a Deus porque tenho "anjos" que me ligam constantemente para saberem se estou precisando de alguma coisa; "anjos" que já supriram várias de minhas necessidades; "anjos" que investiram e continuam investindo em meu ministério; "anjos" de muitas placas denominacionais, e ao mesmo tempo, sem nenhuma; anjos sem "RGs" ou "CPFs" pragmáticos. 

Mas o mundo ainda carece de mais anjos deste tipo... Conheço muito pastor que não apenas "comeu pão de anjo", mas "dirige carro 0 Km de anjo". Confesso que estou esperando por um desses... 

Entre tantos anjos mencionados nas Escrituras, há dois últimos que me fascinam. Os que mais me fascinam. Lucas 24.1-8 fala sobre eles: os anjos que anunciaram à Madalena e outras mulheres que o Senhor havia ressuscitado, que disseram: "Jesus vive. Vocês estão no lugar errado. Não pensem n?Ele mais como um morto. A vida venceu a morte! Fala pros que estão chorosos que nada está perdido. Há motivo pra esperança. Ele precisou morrer para tirar das mãos de Satanás as chaves da morte e do inferno!" 

Os anjos humanos que pertencem a esta casta são aqueles que pregam o evangelho em todos os tempos. Os arautos da esperança. Os proclamadores das boas-novas. Anjos que fazem o mundo saber que o Supremo Pastor encerrou sobre seu domínio anjos, homens e demônios. 

É possível demonstrar todas as outras facetas angelicais e não demonstrar esta. Mas é impossível demonstrar esta sem demonstrar aquelas! Ou seja, é até possível consolar, abraçar e dar pão sem pregar.Todavia, é impossível pregar sem consolar, abraçar e dar pão, porque essas coisas estão diretamente imanentes à pregação da esperança! 

Apocalipse 1.20 ? 3.22 refere-se a cartas escritas por Deus aos anjos das igrejas. Só o que os exegetas sabem é que a palavra grega utilizada significa "mensageiro". Uns pensam que são "anjos-anjos", outros, que são "anjos humanos". A mim pessoalmente, tal litígio é uma bobagem! Isto porque a mensagem da vitória de Cristo é pra "anjo-anjo" e "anjo-homem". Se o anjo em questão é uma personificação celeste da igreja, vista em Cristo, ou é um homem que tem como incumbência o ministério de pregar as Novas de Cristo, pouco importa. Também se importasse, não me atreveria a querer dar a última palavra. O que sei é que a igreja, a Igreja e o mundo não sobreviveriam sem eles ? "anjos-anjos ou anjos-homens, pois deles vem a anunciação desde o princípio até o estabelecimento cabal do Trono da Graça! 

Alguém já disse que "somos anjos de uma asa só e só conseguimos voar se abraçados uns aos outros". 

Beijo gostoso e angelical, 

Paulo


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