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Tears of the Sun ( Lágrimas do Sol) - Filme com Bruce Willis e Monica Belucci
Acabo de assistir o filme Tears of the Sun (Lágrimas do Sol), com Bruce Willis, e confesso que estou arrepiado dos pés à cabeça. Realmente é um dos filmes mais belos que já assisti na vida. Como um apaixonado por cinema que sou e "fã-zaço" do talento indelével de Bruce Willis, admito que não contive as lágrimas em várias cenas do filme. 

Willis, celebrizado pelo estilo troglodita de "Duro de Matar" e pela malandragem de "A gata e o rato", esbanja dramaticidade e sensibilidade em Lágrimas do Sol. 

No filme, A.K. Waters (Bruce Willis) é um dedicado e fiel tenente da Marinha, que recebe como missão ir até as selvas da Nigéria e resgatar a médica missionária Lena Hendricks (a maravilhosa Monica Bellucci), o padre Gianni (Pierrino Mascarino) e duas freiras, as Irmãs Grace (Fionnula Flanagan) e Siobhan (Cornelia Hayes O?Herlihy). Só que ao chegar ao local com sua unidade, Waters precisa lidar com a imposição feita pela doutora: ou é levada juntamente a outros 70 refugiados de guerra, que seriam deixados na fronteira com Camarões, ou ficará onde está. 

Em dúvida entre cumprir sua missão e prestar ajuda humanitária aos refugiados, Waters decide atender ao apelo da Dra. Hendricks e levá-los com sua unidade. Porém logo a Marinha descobre que entre os refugiados está um homem procurado pela milícia rebelde nigeriana (o filho do presidente deposto e assassinado, e provável sucessor do cargo ? Arthur Azuka ? interpretado por Sammi Rotibi) o que põe toda a missão em perigo. 

Além da atuação, como sempre brilhante, de Bruce Willis e de Monica Bellucci, a direção de Antoine Fuqua (de Um Dia de Treinamento) é primorosa, a fotografia de Mauro Fiore é embasbacadora e a trilha sonora de Hans Zimmer, comovente em sua "africanidade". 

É um daqueles filmes que se fazem a cada vinte ou trinta anos. Sinceramente não entendi o motivo pelo qual sequer foi indicado ao Oscar. É uma obra-prima que prende do começo ao fim. Parece nos amarrar na poltrona. Os olhos se estatelam e o coração é mexido e re-mexido. 

O que me faz falar dele aqui no Prelúdio, no entanto, não é tanto a sua plasticidade, mas, sobretudo, a mensagem que ele evoca ? que é o amor pela vida alheia, capaz de transcender o simples cumprimento do dever. Waters e seus homens tinham como missão apenas resgatar a médica e os clérigos do meio daquele "inferno", no entanto, preferiram desobedecer a ordens superiores e arriscar a própria vida para salvar alguns daqueles que estavam sendo massacrados impiedosamente pelos rebeldes ? gente que estava sendo decapitada; mulheres cujos seios estavam sendo cortados para não poderem amamentar os filhos; jovens sendo estupradas; garotos sendo também "violentados" na sua infância com o seu recrutamento para a vil milícia, recebendo fardas grandes demais para seus corpinhos esquálidos; recebendo armas mais pesadas do que seus braços "cambíticos" podiam carregar... 

Tears of the Sun evoca Provérbios 24. 11-12: "Liberte os que estão sendo levados para a morte; socorra os que caminham trêmulos para a matança! Mesmo que você diga: "Não sabíamos o que estava acontecendo!" Não o perceberia aquele que pesa os corações? Não o saberia aquele que preserva a sua vida? Não retribuirá ele a cada um segundo o seu procedimento?"

Naquele quadro de horror pintado pela guerra, vem-me à mente o trucidar diuturno de pessoas, seja pela guerra-guerra(aquela das batalhas civis na Colômbia, em Angola, no Haiti; dos conflitos religiosos muçulmano-judaicos de Israel, católico-protestantes da Irlanda; e dos maníacos Bins Ladens e pró-Saddans), seja pela guerra-da-alma ( que não mata num estampido de projétil, mas de pouco-a-pouco, pelas fobias, traumas, medos, paranóias, síndromes e complexos), seja pela guerra-das-regiões-celestiais (onde os principados satânicos avançam sobre cada ser vivente tentando tragá-los, arrebatá-los para o inferno). 

A matança esta aí: em cada recôndito do mundo, da alma ou do céu. Posso ser o mais miserável dos heróis (aquele que só cumpriu a missão de chegar vivo à trincheira segura) ou ser o herói que arrebata das mãos do matador aqueles que caminhavam para o abatedouro. 

Não posso fazer-me cego. Seria desumano, inumano. Mais grave ainda. Seria bestial. Segundo o sábio, seria tentar "subestimar" a inteligência-onisciente de Deus. 

Primeiro porque ele discerne o que vai pelas profundezas do coração. Tentar enganá-lo é enganar-se a si mesmo. 

Segundo porque a soberania divina nos preserva para propósitos transcendentais. A vida só tem real propósito quando o propósito é servir o propósito de Deus. Existe justo que Deus leva para si para livrar "do" mal e justo que Deus preserva em vida para livrar "no" mal aqueles que hão de livrar outros do mal da morte-verdadeiramente-mortal, que é a morte patrocinada pelo Supremo-rebelde-do-mal, o Inimigo. 

Vejo nas promessas de Salomão uma advertência: Ou eu "levo" comigo aqueles que estão sendo levados para o matadouro ou aquele que tem controle sobre a minha vida me "leva"! Inexorável... 

Terceiro. Fingir-me cego me custará um preço. Isto não é uma penalidade imposta por um Deus vingativo e venal. É uma lei de causa-e-efeito. Toda ação gera uma reação. Pro bem ou pro mal. Sem nenhuma pretensão "aristotélica" de "logicalidade" simplesmente intelectual, digo que essa é a verdade nua e crua, como se não fosse bíblica. Fechar os olhos e fingir que não estou vendo os "condenados", as "presas da matança", é zombar de Deus, e "não vos enganeis: de Deus não se zomba" ... aquilo que o homem semear, isso também ceifará"(Gl 6.7). Portanto, "não nos cansemos de fazer o bem... enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos"(Gl 6.9,10). 

"...Aquele que sabe fazer o bem e não o faz, nisso está pecando"(Tg 4.17). 

Lágrimas do Sol me fez descerem lágrimas tépidas dos olhos, pois percebi que não tenho arriscado a minha vida como poderia arriscar. Não tenho amado as almas como poderia amar. Não tenho me doado como poderia me doar. Não tenho lutado como poderia lutar. 

Senti-me um miserável que tem muitas vezes salvado apenas as "doutoras" e "padres" e deixado uma verdadeira multidão relegada à própria sorte. Nunca me furtei de ver, mas tive a intuição de que poucas vezes fiz aquilo que meus olhos me mostravam que deveria ser feito... 

Essa impressão foi reforçada ainda por uma frase que "posludia" o filme, do brilhante filósofo e político inglês do século XVIII, Edmund Burke: "The only thing necessary for the triumph of evil is for good men to do nothing", ou seja: "Para que o mal triunfe, basta que os homens bons nada façam." 

Anima-me que o Tenente Waters tenha entrado no helicóptero e partido, para depois, olhando nos olhos daquela médica apaixonada por "almas" e no massacre que acontecia fora da sua "área de conforto", arrepender-se e voltar à sua missão-além-da-simples-missão. Talvez ainda haja tempo pra mim!Talvez ainda haja tempo pra nós! 

Talvez ainda possamos nos libertar para libertar outros... 


Yeshua Shalom! 

Paulo
10/10/05


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