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A Paixão-Apaixonada da Cruz
Sexta-feira da paixão. Que virou paixão por chocolate. Nada contra ele. É das maiores delícias. Mas é uma paixão inócua, que se desfaz na boca e que não alcança o espírito: no máximo uma alma em êxtase.

A Paixão que realmente é celebrada nos meandros da História é uma Paixão com gosto de sangue, de lágrimas e de alma derramada.

Penso que poucas pessoas já pararam para pensar no significado de Paixão de Cristo.

Por que Paixão afinal?

Porque paixão versa de várias acepções lingüísticas. Tem vários significados.

Paixão significa tormento e sofrimento, mas também um amor, uma atração irresistível, arrebatadora, insufocável.

E Jesus viveu a paixão intensamente nas duas acepções. 

Uma dessas paixões é a que destrói a carne e mata o corpo, tira a vida. A outra é o que dá sentido pra vida! 

Uma dessas paixões é a que traz dores, encravelha, encrava, esfola. A outra é a que dá prazer, que enleva a alma, que explode o coração nas palpitações do amar...

Uma dessas paixões é paixão que se sofre e outra é que se cessa o sofrer... 

Há paixão que mata e paixão que faz reviver, que ressuscita, enleva, excita...

Agora uma coisa essas duas paixões têm em comum.Ambas se dão por amor. Tanto paixão-dolorida quanto paixão-apaixonada se entregam. Não existe paixão que não se entrega. Se não há entrega não há paixão, há no máximo "pai-chão"...

E ambas as paixões se bifurcam na mentalidade, no coração e na atitude de Cristo. N?Ele, ambas as acepções de paixão fundem-se em uma. Indissociáveis...

A Paixão de Cristo naquela sexta é uma declaração de um Deus apaixonado. Entregando-se à Paixão pela paixão, numa entrega apaixonadamente apaixonada, arrebatadora...até meio-platônica, sem esperar nada em troca, sem esperar retribuição. Uma Paixão instigada pela Graça teimosa em se apaixonar por aqueles que nem mesmo perguntam por Ela...

Uma doce e dolorida Paixão-apaixonada. A mais apaixonada de todos os tempos. Romeu e Julieta é história de ódio se comparada a ela...Isto porque paixão-paixão é paixão que experimenta a tragédia, mas rompe os lacres da morte e faz ressurgir a vida impoluta, imarcescível e eterna...

Uma Paixão-paixão que pode ser ofuscada por coelhos e chocolates no presente tempo de pós-modernismo "capetalistamente" estúpido , mas cujo gosto incrustado na Cruz do Calvário perpassa a História temporal e a atemporal e atinge o cosmo na sua eternidade, desde a pré-eternidade, onde um Deus apaixonado já havia se predisposto a expressar Sua paixão bela em uma Paixão dolorosa naquele Cruz rude e de dor! 

Beijo gostoso no ser!

Paulo

São José do Rio Preto
22/04/2011


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